EXCLUSIVO: O Teatro do Compliance — Como o "Xerife" de Cláudio Castro Operou por 6 Anos nas Entranhas do Poder Antes do "Chilique"

A Amnésia Constitucional: Como o Doutor em Direito 'Esqueceu' a Inelegibilidade de Garotinho

EXCLUSIVO: O Teatro do Compliance — Como o "Xerife" de Cláudio Castro Operou por 6 Anos nas Entranhas do Poder Antes do "Chilique"
EXCLUSIVO: O Teatro do Compliance — Como o "Xerife" de Cláudio Castro Operou por 6 Anos nas Entranhas do Poder Antes do "Chilique" (Foto: Reprodução)

Por Redação Nacional - Reportagem Investigativa


A política fluminense é um ecossistema onde o pragmatismo costuma engolir a ética na hora do almoço. Mas as movimentações recentes do advogado Victor Travancas — que há poucos dias rompeu com o ex-governador Anthony Garotinho para se aliar a Eduardo Paes [1] — acendem um holofote incômodo sobre uma engrenagem muito mais profunda: o uso estratégico de cargos de controle e governança como moeda de troca, blindagem burocrática e trampolim eleitoral.
Investigamos os bastidores dessa trajetória que mistura "dança das cadeiras" no Palácio Guanabara, o fantasma de planos golpistas na Alerj, acusações passionais nas redes sociais e uma desconfortável omissão de seis anos.
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1. O Infiltrado: A Indicação de Garotinho e o "Natal em Campos"


Para entender a indignação tardia de Travancas em 2026, é preciso voltar ao ano de 2020. Na esteira do afastamento de Wilson Witzel, o então jovem e desconhecido governador Cláudio Castro buscou abrigo político na Baixada Fluminense e no Norte do Estado. A proximidade com a família Garotinho era tamanha que Castro chegou a passar as festividades de Natal na residência histórica do clã, em Campos dos Goytacazes.
Foi nessa esteira de conciliação que Victor Travancas entrou no núcleo duro do Palácio Guanabara. Indicado diretamente por Anthony Garotinho, ele assumiu o papel de "olhos e ouvidos" do grupo político em Campos dentro da máquina estadual.
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2. Seis Anos de vista grossa no Olho do Furacão: Cadê o Compliance?


O ponto mais vulnerável da narrativa de Travancas como "paladino da moralidade pública" é o fator tempo.
* Ele não passou meses no governo. Ele passou quase 6 anos inteiros.
* De 2020 a 2024, atuou como Assessor Especial do Governador.
* Em janeiro de 2024, foi alçado ao topo da pirâmide da governança, sendo nomeado Subsecretário de Compliance do Gabinete do Governador.
Foi precisamente durante essa janela temporal que o Rio de Janeiro assistiu ao maior escândalo de desvio de dinheiro público da década: os mais de 20 mil servidores fantasmas e as folhas de pagamento secretas da Fundação Ceperj e da Uerj.


A pergunta que fica é: Como o homem responsável pela conformidade e ética do governo assistiu à sangria dos cofres públicos sem formalizar uma única denúncia à Polícia Federal ou ao Ministério Público e só passou a fazer isso a pedido de Garotinho muitos anos depois de já fazer parte disso tudo?


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3. A Estratégia do "Rastro de Papel" e a Mordaça de Ouro


Reportagens de bastidores revelam que Travancas optou pela sobrevivência burocrática em vez do dever funcional. Em vez de explodir o esquema na mídia ou nos órgãos de controle independentes, ele passou anos emitindo memorandos internos e ofícios burocráticos apontando inconformidades.
Para analistas jurídicos, a manobra foi estritamente preventiva: criar um "rastro de papel" para blindar sua própria assinatura caso a Polícia Federal fizesse uma operação no Palácio Guanabara. Ele acumulava provas de que "avisou internamente", garantindo imunidade administrativa, enquanto mantinha o status e os salários do alto escalão.
O governo, ciente do perigo de demitir o seu próprio xerife do compliance, operou uma "mordaça de ouro". Sempre que Travancas ameaçava desembarcar, Castro o remanejava: foi Diretor do Arquivo Público do Estado e depois readmitido na Casa Civil em julho de 2025. Uma simbiose perfeita de conveniências.
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4. O Plano do Mandato Tampão Fracassou


A apuração aponta que o "chilique" performático de Travancas só aconteceu quando as pretensões de poder de seu padrinho político naufragaram. Entre 2023 e 2024, o grupo de Garotinho monitorou de perto o processo de cassação de Cláudio Castro no TRE-RJ.
A meta oculta era costurar a queda do governador antes de 2025 para forçar uma eleição indireta na Alerj (votação apenas entre deputados). O plano era colocar Garotinho ou um aliado em um "mandato tampão". Travancas, dentro do compliance, seria o fornecedor oficial das munições jurídicas para acelerar esse processo. Quando a Justiça Eleitoral arrastou o julgamento e o prazo constitucional expirou, a estratégia teve que mudar drasticamente para o pleito geral de 2026.
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5. Da Parceria ao Ódio: A Guerra das Baixarias e Certidões


Em março de 2026, vendo o governo Castro derreter politicamente e com os olhos fixos na promessa de ser candidato a vice-governador na chapa de oposição de Garotinho, Travancas finalmente soltou a bomba em um podcast: chamou o Palácio Guanabara de ["gabinete do crime organizado"]. Foi exonerado no mesmo dia.
Porém, o pragmatismo cobrou seu preço. Nesta semana, Garotinho preteriu o advogado e escolheu o ex-Bope André Monteiro para a vaga de vice. Sentindo-se traído, Travancas abandonou a defesa de Garotinho, aliou-se ao rival Eduardo Paes [1] e entrou no TRE-RJ pedindo a impugnação da candidatura do ex-padrinho.


A resposta de Garotinho foi brutal. Em uma transmissão ao vivo em seu Facebook, o ex-governador partiu para o campo pessoal: acusou Travancas de ser um "espancador de esposa" e de tentar simular uma fachada de bom moço ao procurá-lo no passado em "encontros de casais" religiosos para ganhar sua confiança. Garotinho comparou a conduta de Travancas com a do deputado Pedro Paulo, alvo de velhas acusações de agressão doméstica.
Em contrapartida, Travancas divulgou certidões do CNJ provando que Garotinho está com os direitos políticos suspensos por improbidade. Uma verdadeira lavagem de roupa suja que expõe o nível rasteiro das alianças fluminenses.
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Questionamentos que Exigem Resposta:


   1. Se o Palácio Guanabara era o "gabinete do crime", por que Victor Travancas aceitou salários e cargos lá dentro por seis longos anos?
   2. A omissão em denunciar os esquemas da Ceperj e Uerj à Polícia Federal configura prevaricação ou foi apenas um cálculo político milimetricamente desenhado?
   3. Até quando o eleitor do Rio de Janeiro aceitará que figuras públicas usem a bandeira do "Compliance" e da "Governança" apenas como escudo de proteção pessoal e moeda de troca para ambições eleitorais?
A história de Victor Travancas é o retrato sem retoques de como o controle interno no Rio de Janeiro muitas vezes não serve para fiscalizar o poder, mas para guardá-lo até que o preço de mercado mude de lado.
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Para um advogado com o currículo de Victor Travancas, que se apresenta como especialista em Direito Público e Constitucional, a tese de "cegueira momentânea" desmorona diante dos fatos históricos e das regras mais básicas do exercício da advocacia.


6- O Conhecimento Prévio da Inelegibilidade


A alegação de Travancas de que descobriu a "má-fé" de Anthony Garotinho apenas agora é tecnicamente insustentável:
* Fato Público desde 2020: A condenação de Garotinho por improbidade administrativa (com a suspensão dos direitos políticos) não era um segredo guardado a sete chaves; era um fato amplamente debatido na imprensa e nos tribunais eleitorais fluminenses há mais de seis anos.
* A Decisão de Dias Toffoli: O recente entendimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que fechou as portas para recursos que tentavam reverter essa condição, foi amplamente monitorado por qualquer jurista que atuasse no Rio de Janeiro.


Como defensor oficial de Garotinho até poucos dias atrás, Travancas tinha a obrigação legal e técnica de mapear minuciosamente esses riscos na montagem da chapa.


7. A Advocacia como "Braço de Ataque"


Enquanto esteve no cargo de advogado da campanha, Travancas não apenas silenciou sobre a fragilidade jurídica de seu cliente, mas atuou de forma agressiva como o braço jurídico do grupo:
* Ele assinou e protocolou representações, pedidos de investigação e denúncias contra os adversários políticos de Garotinho no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
* Durante meses, o discurso técnico dele foi o de que Garotinho estava plenamente apto e que qualquer contestação seria "perseguição dos inimigos".
Esse comportamento demonstra que, enquanto a aliança atendia aos seus interesses de se tornar o candidato a vice-governador, a inelegibilidade de Garotinho era tratada por ele como um "detalhe contornável".


8. A "Iluminação" Conveniente pós-Rejeição


A transição de "defensor ferrenho" para "denunciante indignado" ocorreu em um intervalo de menos de 48 horas após o anúncio do ex-Bope André Monteiro para a vaga de vice:
* Oportunismo Processual: Ao protocolar a ação de impugnação contra o próprio ex-cliente no TRE-RJ alegando que Garotinho "atua de má-fé para enganar o sistema", Travancas tenta se esquivar da própria conivência.
* Infração Ética: No meio jurídico, essa guinada radical levanta sérios questionamentos no Tribunal de Ética da OAB.

Um advogado é proibido por lei de usar informações privilegiadas ou se voltar contra um cliente que representava na mesma causa, o que confere ao seu "chilique" contornos de vingança pessoal.


** Alexandre Catalani é Jornalista e Desenvolvedor de Sistemas voltados para Inteligência Financeira , Inteligência Investigativa & Pericial, também é o autor e desenvolvedor da maior Plataforma profissional de OSINT e perícia digital do País, responsável por relatórios técnicos conclusivos com dados irrefutáveis para fins judiciais.









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