ANTHONY GAROTINHO "DEVERIA ESTAR PRESO"

EX-ADVOGADO VIRA ALGOZ: VICTOR TRAVANCAS PROTOCOLA NOTÍCIA DE INELEGIBILIDADE

ANTHONY GAROTINHO "DEVERIA ESTAR PRESO"
ANTHONY GAROTINHO "DEVERIA ESTAR PRESO" (Foto: Reprodução)

RIO DE JANEIRO — Os bastidores das Eleições de 2026 no Rio de Janeiro sofreram uma forte reviravolta após o rompimento definitivo entre o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) e seu antigo defensor, o advogado Victor Rosa Travancas. Dias após renunciar formalmente aos mandatos de defesa de Garotinho, Travancas protocolou uma notícia de inelegibilidade junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), subindo o tom e afirmando publicamente que o ex-aliado "deveria estar preso".


A ofensiva jurídica e política de Travancas contra seu ex-cliente baseia-se em uma condenação por improbidade administrativa e expõe uma guerra de narrativas sobre os prazos de cumprimento de penas e a montagem das chapas eleitorais fluminenses.
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A Tese Jurídica: Por que Garotinho "deveria estar preso"?


Segundo a petição apresentada por Travancas à Justiça Eleitoral, o ex-governador está operando com "má-fé" para "burlar o sistema". O argumento central é que os direitos políticos de Garotinho continuam suspensos devido à condenação transitada em julgado no caso do esquema de desvio de verbas da saúde conhecido como "Saúde em Movimento".


* Dívida de bilhões ao Erário: A condenação original estipulou o ressarcimento de R$ 234 milhões. Conforme os autos, com as correções monetárias vigentes, os valores atualizados cobrados pelo Ministério Público já alcançam mais de R$ 2,5 bilhões. Para Travancas, disputar eleições sem ressarcir o Estado é uma afronta ao Judiciário.
* Prazo de Inelegibilidade até 2028: Travancas alega que, embora a condenação seja antiga, o trânsito em julgado definitivo ocorreu em maio de 2020. Com a pena de suspensão de direitos políticos fixada em oito anos, Garotinho estaria legalmente impedido de se candidatar ou votar até 27 de maio de 2028.
* Candidatura "Natimorta": O advogado argumenta que registrar uma candidatura sabendo dessa restrição configura uma tentativa de fraude eleitoral, o que justificaria medidas punitivas severas.
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As Medidas Drásticas Solicitadas ao TRE-RJ


Para frear o que classificou como uma postulação ilegal, Travancas requereu ao TRE-RJ uma série de sanções imediatas de caráter financeiro e restritivo:


   1. Cassação e Cancelamento do Título: Bloqueio imediato do título de eleitor de Garotinho, sob o argumento de que cidadãos com direitos políticos suspensos não possuem capacidade eleitoral ativa ou passiva.
   2. Asfixia Financeira e de Mídia: Bloqueio total dos repasses do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral destinados à campanha, além da proibição de aparições no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.
   3. Apreensão do Passaporte: Diante do passivo bilionário não quitado com o Estado do Rio de Janeiro e do suposto risco de evasão, o pedido exige a retenção do passaporte do ex-governador.
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O Estopim do Rompimento: Vaga de Vice e Mudança de Lado


A escalada de agressividade mútua começou logo após o anúncio do policial militar reformado André Monteiro como candidato a vice-governador na chapa do Republicanos. Travancas criticou duramente a escolha nas redes sociais e formalizou sua saída alegando razões éticas de "foro íntimo". Logo em seguida, declarou apoio à candidatura de [Eduardo Paes] (PSD) ao governo do Estado.
A versão de Garotinho: Através de transmissões ao vivo, Anthony Garotinho contra-atacou, acusando Travancas de agir por puro oportunismo político. Segundo o ex-governador, o advogado queria assumir a vaga de vice em sua chapa majoritária. Ao ter o nome rejeitado por Garotinho, Travancas teria passado a atacar o grupo e, supostamente, a "vazar" dados sigilosos de processos para adversários políticos. Garotinho confirmou a revogação de todas as procurações do ex-defensor.
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O que diz a Defesa de Garotinho


Para contrapor a tese de Travancas e do próprio Ministério Público Eleitoral (MPE), a equipe de defesa de Anthony Garotinho argumenta que a suspensão de seus direitos políticos já se extinguiu.


Os atuais defensores afirmam que o processo originário da improbidade teve encerramento jurídico em 1º de agosto de 2018. Pela contagem da defesa, os oito anos de punição transcorreram continuamente a partir dali, encerrando-se formalmente em 1º de agosto de 2026 — o que o tornaria plenamente apto e elegível para o pleito deste ano. Cabe agora ao pleno do TRE-RJ avaliar as petições e julgar o registro definitivo da candidatura.



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