O CASULO DE LAMA E SOLIDÃO: Como a Justiça e o abandono político implodiram o plano de Anthony Garotinho de voltar ao poder
Em menos de uma semana, o que restava do outrora poderoso "garotismo" desmoronou.
RIO DE JANEIRO — O sonho do ex-governador Anthony Garotinho de pisar novamente nos salões do Palácio Guanabara e do Palácio das Laranjeiras não foi apenas adiado; ele foi sepultado por um duplo nocaute jurídico e político neste início de campanha de 2026.
Em menos de uma semana, o que restava do outrora poderoso "garotismo" desmoronou sob o peso de uma condenação definitiva por desvio de verbas públicas e pelo abandono em massa de seus próprios aliados de chapa.
A pá de cal definitiva veio de dentro do próprio front do candidato do Republicanos. Na véspera do início oficial da corrida eleitoral, a major da Polícia Militar Elaine Gonçalves anunciou sua desistência do posto de vice. Foi a segunda baixa traumática na chapa em tempo recorde: antes dela, o coronel Venâncio Moura, ex-comandante do BOPE, já havia batido em retirada após pressões e rearranjos de forças ligadas ao grupo político de Eduardo Paes. Sem vice, isolado e sem tempo hábil para reconstruir pontes políticas destruídas pela desconfiança, Garotinho vê sua estrutura de campanha murchar antes mesmo de ir às ruas.
Se a solidão no palanque é um golpe político fatal, o calvário jurídico do ex-governador é o fator definitivo que sela o seu destino. A determinação da 4ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro para o cumprimento imediato da suspensão de seus direitos políticos por 8 anos — decorrente do escândalo de desvio de R$ 234 milhões no programa Saúde em Movimento que viraram 2,5 bilhões e danos ao erário e dezenas de milhões em multas — e operam como uma barreira intransponível. A rejeição do último recurso pelo ministro do STF, Dias Toffoli, liquidou as manobras defensivas da chapa. Embora a defesa tente um malabarismo retórico ao argumentar que a pena começou em 2018 e já estaria extinta em agosto de 2026, o entendimento de magistrados e do Ministério Público é implacável: os recursos protelatórios empurraram o início do cumprimento da inelegibilidade para o presente.
O caso agora caminha para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) tão somente para o cumprimento do protocolo de impugnação do registro de candidatura. O front político fluminense assiste, em tempo real, ao melancólico capítulo final de uma liderança que já comandou o estado com mão de ferro.
Sem chapa, sem direitos políticos reconhecidos pela Justiça e sem o oxigênio do apoio popular, o "frontman" de Campos dos Goytacazes assiste ao desmonte final de suas pretensões.
Para Anthony Garotinho, as portas do Palácio das Laranjeiras foram trancadas por dentro — e a chave foi jogada fora pela própria história.
** Alexandre Catalani é Jornalista e Desenvolvedor de Sistemas voltados para Inteligência Financeira , Inteligência Investigativa & Pericial, também é o autor e desenvolvedor da maior Plataforma profissional de OSINT e perícia digital do País, responsável por relatórios técnicos conclusivos com dados irrefutáveis para fins judiciais.
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